terça-feira, 20 de julho de 2010

LIVRO - CADERNO DE BORBOLETAS

10. BÊBES.

Três meses depois do nascimento, muitas coisas já haviam acontecido. Maria Carolina tinha pegado uma terrível pneumonia, mas tinha se curado. Os rostinhos já estavam ficando mais definidos.

Carol estava muito branquinha, os olhos ficaram muito azuis, igual ao céu. Seu cabelo era quase branco, e liso. Agora, que tinha se curado, estava engordando mais um pouquinho.

Emanuel, que já era mais coradinho, estava muito bonito. Seu cabelo estava dourado, e seus olhos eram pretos. Ele se parecia muito com Eduardo.

Agora, eu e Eduardo estávamos namorando novamente. Agora, acredito eu, pra valer.

Sei que nada disso foi planejado. E sei também que minha vida não vai ser nada comparada a tudo que eu queria antes. Eu e Eduardo teremos de amadurecer muito para nos "formarmos" como pais excelentes, mas tudo que eu penso agora é somente nos meus filhos, sim, aqueles que eu deixava apenas como as crianças dentro de mim, aqueles que eu pensei em dar pra adoção. Aqueles que eu pensava que não amava, mas na verdade, eu amava sim, só que de um jeito mais "largado", digamos assim. Minha vida não será mais a mesma, e de Eduardo também não. E possivelmente a de Maria Carolina e a de Emanuel serão cheias de reviravoltas, mas não me arrependo do que fiz.

E sim, faria tudo de novo!

Fim!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

LIVRO - CADERNO DE BORBOLETAS

9. OITO MESES...

Minha barriga estava imensa. Gigante. Eu tinha acabado de completar oito meses. O chá de panela foi muito bom.

Eu arrecadei cerca de 400 fraldas. O que, pelas minhas contas, iriam durar mais ou menos 3 meses, se eu usasse quatro a cada dia.

Minha mãe se decidiu por pagar logo um professor particular pra mim, antes que o meu ano terminasse e eu não conseguisse concluir a série.

Eu estava quase indo dormir. Na verdade, estava no banheiro. Escovando os dentes e depois iria escovar meu cabelo.

Pegando a escova, comecei a sentir uma dor muito forte na barriga. Parecia uma cólica três vezes mais dolorosa. Estava doendo muito.

A escova caiu da minha mão. E eu me curvei, de forma que, sem querer, estava fazendo força. Gritei de dor e caí no chão.

- Mãe? – gritei implorando por ajuda.

- Helena? – disse ela subindo a escada – O que está acontecendo? – ela disse desesperada.

- Eu não sei. Está doendo. – eu disse tentando me apoiar e levantando do chão.

- Acho que a gente tem que ir pro hospital. Está na hora de nascer. – minha mãe me levantou e me guiou até o meu quarto – Você arrumou a bolsa? – disse ela me colocando na cama.

- Arrumei. – a dor estava passando – Está no meu guarda-roupa. Na porta da esquerda.

- Vamos pro hospital. – minha mãe me carregou pelo ombro e me levou até o carro – Tenta segurar a dor até lá.

- Já não está doendo muito, mãe. Eu consigo segurar até lá.

- São contrações. – ela disse estacionando no hospital. – Vamos sair. Daqui a pouco vai voltar.

Minha mãe me colocou no ombro, novamente, e me levou até a recepção.

A recepcionista chamou uma equipe médica pra me colocar na maca. Fui carregada e depois colocada na caminha que andava freneticamente pelo hospital. Até que chegamos a uma sala, onde me transferiram de cama e me deixaram lá.

O médico chegou. Estava totalmente de branco, o que é obvio, mas no momento meu olho estava meio embaçado. Eu virei pro lado de modo que a dor insuportável, que estava voltando, passasse um pouco.

- Vamos ver com quanto de dilatação você está, Helena. Dependendo do tanto, você já pode começar a fazer força. – disse ele – Você está com quatro centímetros. O ideal é você começar a fazer força com nove. Nós vamos te dar um remédio para parar de doer as contrações. – ele pegou uma agulha e a balançou.

As dores pararam um pouco. E o tempo custava a passar. Às vezes eu sentia dores muito fortes, mas elas logo passavam.

Passaram-se sete horas, e eu não conseguia dormir. Minha mãe tinha ligado para o Eduardo, que prometeu chegar em vinte minutos, mas já tinham se passado três horas e ele não tinha chegado.

Minha mãe e meu pai, que tinha chegado duas horas depois que a gente chegou, estavam na sala junto comigo. E algumas enfermeiras vinham de hora em hora checar se estava tudo bem.

- Mãe liga pro Eduardo de novo. – eu disse.

- Não posso filha. Você já me pediu pra ligar pra ele sete vezes só nessa hora.

- Mas você não ligou em nenhuma. – eu argumentei.

Ela pegou o telefone e fez uma cara de impaciente. Discou os números e esperou Eduardo atender.

- Eduardo? Onde você está? Helena está quase tendo os bebês. – minha mãe gritava.

- O quê? Deixa de ser imbecil. Vem a pé. – ela estava nervosa. – ela olhou pro meu pai e depois falou com ele. – Wilson, você pode buscar o Eduardo na casa dele?

- Acho que sim. Só se for agora. – ele disse já pegando a chave – Estou lá em dez minutos.

- Ele chega em dez minutos. – ela disse e desligou o telefone.

As dores começaram a voltar, duas horas depois. Meu pai e Eduardo já estavam lá. Estavam todos na sala comigo. Eduardo, agora, estava do meu lado. Segurando a minha mão. O médico estava chegando novamente, dessa vez pra falar se eu já podia fazer força.

- Bom, Helena, você está com 10 centímetros. Já pode fazer força. Se prepare que eu vou chamar as enfermeiras.

Ele foi. E depois voltou com mais três enfermeiras. E todas elas com várias coisas na mão.

Eu estava fazendo muita força, e gritava, muito, muito.

A enfermeira me trouxe o primeiro bebê. Era Maria Carolina. Tinha cara de joelho, mas era linda.

Tinha cabelos loiros, quase brancos. Olhos que pareceriam ficar claros. A pele era tão clara e ela era tão bonitinha.

Depois ela me trouxe Emanuel. Ele era menor que Maria Carolina. Tinha cabelos claros, também, mas não chegava a ser tão loiro quanto ela. Os olhos já eram mais escuros, pretos, como os de Eduardo.

Recebi um cartãozinho com os nomes:

Maria Carolina Pierre Hadwing – 42 cm, 2.854kg, 28-10-10, 07h31min.

Emanuel Octávio Pierre Hadwing – 38 cm, 2.658kg, 28-10-10, 07h33min.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

LIVRO - CADERNO DE BORBOLETAS

8. APREENSIVA.

Mais um mês havia se passado. O convite para Isabella já havia sido feito. E ela, como ótima amiga, havia aceitado. Ela não foi pra minha escola, mesmo, pois ficaria muito longe pra ela.

Paloma resolveu assumir que estava ficando com o Caio. Rodrigo partiu pra outra, Kelly. Eduardo e eu estávamos sempre na mesma. E minha barriga pra variar, estava cada vez maior, e já não estava mais dando pra esconder. Agora, todos da escola sabiam e como os assuntos corriam muito rápido, alguns pais já haviam falado sobre isso na direção da escola. Por isso, resolveram me chamar na administração hoje, para “conversar” comigo sobre o assunto.

- Sim? – disse eu à diretora.

- Bom, Helena, quero conversar com você sobre a sua gravidez. – disse a senhora Carla.

- Tudo bem, pode falar. – eu disse até com medo do que viria a seguir.

- Tenho a tristeza de te informar que, bom, não podemos mais ter você aqui na escola. – ela disse, olhou pra baixo e pegou um formulário de debaixo da sua mesa.

- Como assim? – eu disse confusa.

- Bom, muitos pais vieram na diretoria e reclamaram de ter uma aluna grávida aqui no colégio. Que não é um bom exemplo. E eles conseguiram fazer um abaixo-assinado que contém 235 assinaturas para que você seja convidada a se retirar o colégio. Eu sinto muito. Sinto muito, mesmo. Você é uma ótima aluna, mas vou ter que pedir que leve pra casa esse formulário e traga amanhã assinado para que possamos retirar o seu nome da lista de alunos do primeiro ano. – disse ela se levantando e seguindo na minha direção – Me desculpe mesmo. Não queria ter de fazer isso.

- Tudo bem. – TUDO BEM NADA! Eu não acredito nisso. Peguei o formulário da mão da diretora e saí da sala dela fingindo que estava tudo bem.

Peguei minhas coisas na sala e fui embora.

Cheguei em casa, destroçada, e sentei no sofá. Coloquei a mão no rosto e não agüentei, chorei pra caramba.

Como eles podiam fazer isso comigo? Logo eu? Que tiro as melhores notas da turma, aquela turma de gente burra. Porque eu? Será que eu tinha feito algo errado? Ah é! Tinha. Engravidado.

No momento o que eu queria era tirar da minha barriga as coisas que tinham dentro dela. Para poder voltar pra escola. Minha mãe não estava em casa, então subi pro meu quarto e deitei na cama.

Dormi.

- Helena, acorda. – minha mãe me balançava com uma cara de preocupação. – O que é isso? – ela apontava para o formulário.

- Ah. A escola me expulsou porque eu estou grávida. – eu disse sentando na cama.

- Expulsou? Grávida? Ela expulsou por causa da gravidez? – ela estava olhando confusa pra mim, enquanto eu esfregava os olhos e dava um jeito na coluna dolorida.

- É mãe. Agora por favor, não me faça voltar mais lá. – eu disse e levantei. Seguindo até o banheiro. Lavei meu rosto e depois escovei os dentes. Já era a manhã do outro dia. E eu não esperava ter de ir à escola. Ou ter de me matricular em qualquer outro lugar. Pelo menos por enquanto.

Desci e tomei meu café. Meu pai estava na mesa junto comigo. E me olhava de vez em quando por cima do jornal. Ele queria perguntar alguma coisa, mas preferiu esperar minha mãe se juntar a nós na mesa do café.

- O que era aquilo Milena? – disse meu pai abaixando o jornal e olhando pra mim.

- Era um formulário de expulsão. – ela olhou para o meu pai e depois pra mim. - A Helena foi expulsa da escola.

- Por quê? – meu pai levantou o tom de voz e levantou da cadeira também, mas para pegar o queijo que estava na bancada da cozinha.

- Porque ela está grávida, querido. – disse ela e depois se levantou da mesa. Indo em direção à cozinha. – Eu liguei para a escola e eles me disseram que alguns pais conseguiram 235 assinaturas ao todo, por pais de vários alunos, pedindo que eles convidassem a Helena a sair da escola. Absurdo, não é? A voz da minha mãe estava baixa demais e tranqüila demais. Alguma coisa ela iria fazer. Eu tinha certeza.

Mas agora me futuro estava em minhas mãos, pelo menos até os bebês nascerem. Eu poderia decidir se eu voltaria ou não pra escola. Meus pais podiam pagar um professor particular para eu poder terminar o primeiro ano.

E depois eu entrava na escola em março, daí eu não perderia tanto assim o contato com a escola.

- Agora o problema, é que mesmo depois de ter os bebês, eles não podem mais aceita-la na escola. – minha mãe voltou pra mesa.

- Isso não importa. – eu disse – Agora, o que eu quero é só um professor particular e esperar.

Ninguém pode fazer mais nada, mãe.

- É claro que pode. Vou levar a escola na justiça. – eu sabia que alguma coisa minha mãe ia fazer.

- Não. Você não vai. Porque eu não quero mais estudar lá. Depois de ser expulsa, você teria coragem de entrar na mesma escola?

- Eu teria. – disse meu pai. – E com o ar de vencedor.

- Mas eu não tenho. Portanto conversa acaba aqui. E agora vocês procuram um professor particular pra mim. – eu disse me levantando da mesa.

- Ei, Helena, você acha que só porque está grávida pode mandar na sua vida? – disse meu pai se levantando da cadeira, agora nervoso.

- Não. Eu não acho. E a questão nem é essa. Por que eu cuido melhor da minha vida que vocês. A questão é a seguinte: ou vocês contratam um professor particular, ou eu não vou ficar em escola nenhuma.

- A gente pode te obrigar a ir. – disse minha mãe colocando manteiga na mesa.

- Mas não podem me obrigar a tirar notas boas. – eu disse e saí de casa.

Tinha dinheiro no bolso. Podia pegar um ônibus ou tomar um sorvete, mas preferi caminhar. Andei por todo o bairro até voltar pra minha casa.

Andei para espairecer. Precisava de ar. Muito ar. Para poder pensar nas coisas direito. Pensar em como ia seguir depois que tivesse os meninos. Minha faculdade e meu segundo grau foram por água abaixo. E agora, eu precisava pensar em como eu faria para cuidar dos bebês se eu não voltasse com o Eduardo.

Nenhum romance dura para sempre, principalmente quando ele começa aos 15 anos. Não existe conto de fadas e disso eu tenho certeza. Aliás, quem não tem? E eu e o Eduardo sabíamos bem disso. Só não sabíamos se esse era o nosso caso, se podíamos desfrutar disso com tanta felicidade.

Eu estava apreensiva com a chegada dos bebês, e o que mais me deixava preocupada, era o parto. Minha mãe e eu queríamos que fosse parto normal, mas a dor deve ser insuportável.

UM MÊS ...

DOIS MESES...

TRÊS MESES...

quinta-feira, 15 de julho de 2010

LIVRO - CADERNO DE BORBOLETAS

7. BARRIGA???

O quarto trazia a lembrança do meu antigo, da casa antiga. Os móveis também brancos e as cortinas roxas e fechadas deixavam o ambiente mais escuro que o antigo roxinho bebê, um lilás, que eu presenciava todos os dias na antiga casa.

O berço estava encostado na parede da direita e tinha um armário embutido na mesma parede, em cima do berço, e tinha, também, roupinhas por cima do colchão. Tinha também uma cama no quarto.

Depois que saímos de lá, fomos até a praça e tomamos um sorvete.

-Tenho que ir embora. Se é que você me entende... – disse ele me dando um beijo no rosto.

- Quando nos vemos? – eu disse para agradar minha mãe, que com toda certeza do mundo me perguntaria isso quando eu voltasse pra casa.

- Não sei. Pode ser quando for melhor pra você. No dia que você quiser.

- Ah! Eu? Pra mim tanto faz. – percebi que não era aquela resposta que ele queria que eu desse. – Pode ser, não sei, na semana que vem? Ou daqui a quinze dias?

- Acho melhor daqui a quinze dias. Semana que vem vai começar o campeonato de futebol lá da escola. Eu tenho que ir. Eu estou jogando.

- Então tudo bem. – eu disse concordando e vendo-o partir para o carro de seu pai, que já o esperava no ponto de ônibus.

- Que dia vocês se encontrarão novamente? – disse minha mãe quando cheguei em casa, como previsto.

- Daqui a quinze dias, talvez. –disse subindo em direção à escada.

- Talvez? Por quê?

- Eu não sei se quero encontrar com o Eduardo de novo tão cedo. Quero dar um tempo. Falta um tempo ainda para os bebês nascerem e eu não quero ficar encontrando com ele de semana em semana.

- Tudo bem, mas ahnm... Helena? O que você acha de procurar um lugar pra estudar onde você se sinta mais confortável?

- O que você quer dizer com confortável? – disse voltando e sentando no sofá.

- Não sei. Um lugar onde tem mais garotas como você, grávidas. Um curso rápido talvez, ou uma associação de garotas grávidas. – ela fez uma cara de indecisa.

- Não! Pra quê isso? Se o que você quer é que eu interaja com mais meninas da minha idade grávidas, eu não vejo necessidade nisso. Eu posso continuar na escola muito bem. Ou melhor, eu quero voltar pra minha escola, a escola que eu quase cresci lá. Não vi razão pra você me tirar de lá. E o nascimento vai ser em dezembro. Não vai comprometer tanto assim minha vida escolar. Vou ter que perder dois meses, no máximo, do segundo ano. Isso não me afeta.

- Faça como quiser. Foi só uma idéia louca, talvez. – disse ela saindo para a cozinha.

A campainha tocou. Devia ser a Paloma. Tinha a chamado pra almoçar com a gente no domingo, na casa da minha tia. E como ela ia viajar, ela desistiu, mas teve que vir no sábado à noite.

- Oi Lena! – disse ela me abraçando na hora em que abri a porta. – E como está meus dois favoritos aí dentro? – ela brincou e foi entrando.

Fomos para o meu quarto e lá passamos o resto da noite, parando apenas para comer pizza. Detalhe: Eu comi quatro pedaços. Outro detalhe: Eu como meio, normalmente.

- Você nunca pensou em dar para a adoção não Helena? – disse Paloma (no meio da noite a gente tava conversando).

- Acho que nem nunca passou essa hipótese na minha cabeça. Minha mãe e meu pai me apoiaram desde o momento que eu contei para eles, então acho que não teria motivo de dar os bebês para ninguém.

- É né? Você tem a vantagem de ter seus pais sempre perto e tal. Eu não. Não sei o que meus pais fariam se eu ficasse grávida. Mas você vai continuar lá na escola?

- Vou. Eu queria voltar pra escola antiga, mas eu só vou ficar mais perto do Eduardo, e eu não quero isso. – eu disse olhando pra baixo, diretamente para a barriga.

- Você ainda gosta dele, não é? –disse ela pegando a minha mão. – Não sei por que você o evita. Vocês dois se gostam, ele já te pediu em namoro de novo e você não quer. Você está esperando filhos dele.

Paloma tinha razão, bem no fundo, mas eu tinha meus motivos para não querer ficar com Eduardo novamente. Eu gostava dele ainda, e muito, mas no fundo, no fundo, o que eu queria de verdade não era ele.

- Ele mentiu pra mim! Se não pude confiar nele, acredito que, na pior das situações, quando eu vou poder?

- Ficou mexida com o beijo do Caio, não foi? – ela soltou minha mão e colocou a dela na cabeça fazendo sinal de negatividade. – Eu disse pro Caio não te beijar, isso não ia dar certo. Ele é difícil. É difícil manter amizade com ele.

- Por quê? Por que ele é muito lindo? – eu soltei uma gargalhada.

- Não, besta! – ela também riu – É porque ele é meio que... Irresistível, sabe? – ela abaixou a cabeça.

- Você gosta do Caio, Paloma? – eu assustei.

- Mais ou menos. Não sei se gosto dele mesmo, ou se é “fogo” de momento.

- Então por que você não ficou com ele? – ele já tinha pedido pra ficar com ela pelo que eu me lembrava.

- Não sei. Mas você tá afim dele?

- NÃO! Jamais, Pá, eu gosto do Eduardo, esqueceu?

Na verdade Caio mexia, sim, comigo, mas como disse a Paloma, é “fogo”. Sinto que foi só porque o beijei, nada mais. E se eu estivesse no lugar da Paloma, acho que seria bem difícil de aceitar tal situação.

- Que alívio! Será que se eu pedir pra ficar com ele, vai ser muito feio?

- Acho que não. Pede! Arrisca... Se quiser eu ajudo! – disse e sorri.

UM MÊS DEPOIS...

Rodrigo, um novato da escola, estava dando em cima da Paloma há um bom tempo, mas Paloma estava ficando “escondido”- eu e as outras cinco meninas sabíamos – então não ia aceitar. O menino era do 3ºB, ou seja, TENTAÇÃO, e era também, bem bonito. Kelly morria de vontade de ficar com ele, mas só eu e Caio que sabíamos.

A minha barriga estava maior, e eu, que estava empolgada – INCRÍVELMENTE – contava os dias para o parto. Até mesmo para tirar aquele peso horrível da minha barriga, ou coluna, não sei direito onde pesava mais.

Estava sentada na cantina, com todas as pessoas do mundo, eu creio, pois nunca vi tanta gente no mesmo lugar. Paloma não estava lá com a gente, e nem com o Caio, pois ele tinha faltado. De repente, vejo a Paloma vindo de mãos dadas com o tal Rodrigo.

- Calma aí! Essa ali não é a Paloma? – pelo jeito Kelly tinha reparado a mesma coisa que eu.

- É, e o que ela tá fazendo com o Rodrigo? – eu perguntei para mim mesma.

Eles sentaram não muito longe da gente e ela pegou a mão dele e começou a conversar...

- Arreda aí! Tenta escutar! – disse Kelly.

“Olha Rodrigo, sério mesmo, talvez daqui um tempo, mas agora eu to gostando de outro garoto, então não to afim agora, sabe? Desculpa mesmo, mas não agora, tudo bem?”

Foi o que ela disse a ele. Eu e Kelly olhamos uma pra cara da outra e começamos a rir.

Depois da aula, ao chegar em casa, lembrei que tinha de ligar para a Isabella. Peguei o telefone e sentei na escada, preparada para o que ela ia falar comigo, depois daquilo tudo que a gente fez uma com a outra.

- Bella? – disse quando ela atendeu ao telefone com uma foz de morta.

- Lena? – uma voz de surpresa – Você voltou a ser normal e conversar comigo? Como vai a gravidez? Já sabe o sexo? E o nome?

- Calma Bella, sim, eu já sei tudo isso. São gêmeos. Um casal. Maria Carolina e Emanuel. – eu disse querendo desviar o assunto para o que me interessava.

- Que bom. Gêmeos? Perfeito. – disse ela parando para respirar e depois voltando. – Mas e aí? Como vão as coisas entre você e o Eduardo?

- Vão bem. Eu tive que conversar com ele depois que fiz o ultrassom né? Não podia cuidar de dois filhos, sozinha.

- Ahnm. E quando você vai voltar pra cá? – disse ela esperançosa.

- Não vou. Não quero. Acho melhor ficar longe do Eduardo pelo menos por enquanto. Estou meio, sei lá, despreparada pra voltar com ele. Entende? – eu disse.

- Sei como é. Mas você podia voltar. Sabe que tem a casa da sua tia aqui perto e você podia morar com ela.

- Isabella, não é o fato de eu ter um lugar pra morar. Agora, querendo ou não, eu tenho dois filhos, ou vou ter, sei lá, e eu tenho que ficar aqui o maior tempo possível. E eu tenho que, também, conversar uma coisa com você. Não pode vir aqui em casa?

- Posso, é claro, quando? – disse ela mexendo em alguma coisa que fazia um barulho estranho do outro lado.

- O que está fazendo? – perguntei. – Acho que você pode vir hoje se quiser. Nem demora tanto e também, soube que você estava querendo mudar de escola, a gente podia ir lá à minha e você ver se gosta.

- Eu estou lavando pratos. Sua escola é muito longe, Lena, e também não dá pra ir hoje. Talvez amanhã.

- Tudo bem então. Amanhã a gente vê o que fazer.

- Mas você não pode falar o que você tem pra falar agora?

- Não, porque, senão, amanhã a gente vai ficar sem assunto. – eu ri.

- Tudo bem. Tchau meu bem. – disse ela sorrindo também do outro lado da linha.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

LIVRO - CADERNO DE BORBOLETAS

6. FILHO?

Chegamos ao ginecologista, eu nunca tinha ido a um. O consultório era branco. E tinha uma cama, branca, e um aparelho daqueles que faz ultrassom. Sentei-me com Paloma nas cadeiras, brancas, que tinham em frente à mesa, branca.

- Bom, vamos fazer o ultrassom, Helena? – disse a doutora que acabara de adentrar na sala. Ela era branquinha e tinha sarda. Seu cabelo era loiro e liso, vinha até a cintura. Ela tinha uma aparência agradável, não parecia que era um monstro que ia colocar os dedos dentro de mim, como tinham me dito. – Abra o jaleco, por favor. – A secretaria tinha me dado um jaleco verde para eu vestir.

Eu abri o jaleco e me coloquei em frente à um espelho, guiada as mãos frias da doutora Luiza (como estava escrito no documento me veio à cabeça na hora). Olhei para baixo, e reparei um volume que não existia antes – na minha barriga de vara-pau – era um volume desagradável, mas ao mesmo tempo lindo.

- Parece que você está com quase quatro meses. Já quer olhar o sexo do bebê?

- Quatro meses? E só isso na minha barriga? Esse neném vai nascer miúdo igual a mim. Eu quero olhar sim.

- Então se sente naquela cama. Vou preparar o material.

Não fui de imediato. Fiquei olhando, ainda, um pequeno volume que agora eu tinha. Passei a mão por ele duas vezes. Não acreditava ainda.

Sentei na cama, e a doutora passou um gel gelado na altura do meu umbigo.

Depois colocou o aparelho no mesmo lugar e começou a mexer.

- Bom, vamos ver quem temos aqui. – disse a doutora, ligando uma numa telinha uma imagem preta e branca, que não dava pra ver nada.

Pelo que eu me lembrava, minha mãe fez isso também, mas não quis saber o sexo do bebê. – Vejamos, temos um bebê aqui. E... Temos aqui, outro bebê? – ela fez uma cara de desentendida.

- Dois bebês? – agora eu tinha feito à cara de desentendida. – Não pode ser. Minha barriga está muito pequena ainda. Eu estou, já, com quatro meses, olhe isso direito.

- São dois. São dois. Isso mesmo. Vamos olhar o sexo? – ela disse toda feliz.

- Que novidade Lena! Dois bebês! – disse Paloma. Lá na escola, só ela sabia. Não queria comentar com ninguém. Ia deixar que minha barriga crescesse, mas não ia comentar com ninguém.

- Não! É mais um que eu tenho pra cuidar. Isso não é legal Pá. – eu disse meio que levantando, mas a doutora me deitou de novo.

- Já sabe o nome, Helena? – disse a doutora.

- Nem pensei em nada ainda. Se você quiser me dar algumas idéias... – eu disse olhando meio de lado.

- Minha filha chama Clara, mas se eu tivesse outra filha hoje, eu colocaria Juliana.

- É? Mas eu não gosto de nenhum dos dois nomes. – pareci muito grossa. – Nada contra, claro. – tentei consertar.

- Então... – disse ela olhando para a televisão. – Temos aqui um menino, e um... Um... Uma menina. Um casal! – disse ela emocionada.

- Que bom. – eu disse sem entusiasmo. – Então acabou?

- Sim, você pode ir agora. – ela pegou um papel e limpou a barriga.

Eu iria ligar para Eduardo hoje. Ele pediu pra que, quando eu soubesse o sexo do neném – no caso, dos – pra que eu ligasse.

Na verdade, eu nem quis saber a explicação sobre como aconteceu minha gravidez.

Desci da cama, e reparei que meus pés estavam inchados e meus seios grandes. Não tinha reparado nada disso antes, nada mesmo. Só tinha reparado agora que estava na médica.

E sim, eu sabia que isso era meio estranho, então peguei logo o celular para contar ao Eduardo a grande besteira que ele tinha jeito comigo.

Disquei os números do celular dele, e senti frio na barriga, de quando eu fazia algo novo, mas aquilo não era novo, era chato.

- Alô? – disse a voz de Eduardo, irreconhecivelmente grossa no outro lado da linha.

- Oi, Eduardo, sou eu Helena. – tive de me apresentar novamente, apesar de que, nos e-mails que ele me mandava, dizia que ainda me amava e nunca mais iria esquecer minha voz ou meu rosto. E dizia também que eu era a mulher da vida dele ( ele viaja! ) – Tudo bem?

- Ah! É você. – disse como se tivesse esquecido da parte “Você é a mulher da minha vida”. – Pra quê que você ligou mesmo?

- Foi pra te informar que você vai ser pai de gêmeos. – eu disse e engasguei com a palavra “pai”. – Uma garota e um garoto.

- Ah, que bom. – eu não acreditei que ele disse aquilo. – E então? Já está marcada a data de nascimento? Porque aí, eu vou lá ao hospital e vejo as crianças.

- Ahnm. Não, não está marcada. Nem sei de quantos meses eu estou direito. – disse querendo descontrair a conversa.

- Que ótimo então. Já dá pra ver que você vai ser uma boa mãe.

- O quê? Eu? Uma boa mãe? Escuta aqui, Eduardo, eu te liguei porque você me disse que queria saber sobre o nosso filho. Eu respeitei seu direito de pai, e agora você vem falando que eu sou uma mãe má? Como assim? Você é louco?

- Não. Mas quando eu tentei te explicar o que aconteceu, você não quis saber de mim, e nem de explicação nenhuma. Você acha que você está certa? – ele se explicou.

- Não, não acho, mas o seu dever de um garoto normal de 17 anos era entender que, naquela hora eu estava com muita raiva de você, e ainda estou, por que você não me contou a verdade, Eduardo, a verdade. – eu disse e depois percebi que Paloma e a doutora – que eu esqueci o nome – estavam olhando para mim. E me vendo gritar com Eduardo num consultório de ultrassom. – A gente pode combinar de se encontrar? – tentei amenizar a situação. – Estou no consultório.

- Tudo bem, pode ser hoje? Na praça perto da sua casa, onde o ônibus para? Daqui a duas horas.

- Pode ser. – eu disse e nem despedi, apenas desliguei o telefone.

- Me desculpem. – eu disse olhando pras duas na minha frente com cara de tacho.

- Tudo bem. – disse a doutora. – Vá vestir sua roupa, porque eu acho que você tem um encontro, não é?

- É eu tenho sim, mas não faço muita questão não, viu? – todas riram. E eu peguei minha roupa e fui me vestir.

Cheguei à praça. Eduardo estava me esperando sentado num banco vermelho e olhando para alguns brinquedos. Fui à direção dele, o coitado desiludido. Estava frio e eu estava com um casaco cinza largo que não dava pra mostrar o volume da minha barriga.

- Oi. – eu disse e ele olhou surpreso pra mim, sorriu e seus olhos se voltaram para minha barriga.

O QUE TINHA ACONTECIDO ANTES DO GINECOLOGISTA...

Desci as escadas procurando minha mãe. Meu desespero não me deixava ver que o tempo inteiro eu estava errada, o que eu devia fazer era ligar pro Eduardo e pedir explicações para ele. Mas eu não tinha paciência, eu estava aflita.

- Mãe, - finalmente a encontrei – como vamos falar isso para o papai?

- Já contei pra ele. Ele está lá na sala. Te esperando.

Jurei morte a mim mesma naquela hora. Eu queria cair dura ali mesmo, só morrer. Seria melhor passar por isso do que enfrentar a seriedade do meu pai.

Ele estava nos esperando na poltrona da sala de estar. Sério e com a cara que eu não queria ver.

- O que você tem a me dizer sobre isso? – ele fez uma cara de tacho.

- Nada. Eu não sei como isso aconteceu. – eu me expliquei, mas ele se levantou com aquela mão gigante e chegou perto de mim. Eu estava preparada pra sentir qualquer dor do mundo.

- Então vamos comemorar. – disse ele pegando meus braços e começando a dançar.

- Você não vai me bater, me deixar de castigo ou falar que eu vou me arrepender por ter feito isso o resto da minha vida?

- Não. Apenas saiba que, agora, seu futuro na faculdade não é tão certo assim. Você vai ter que cuidar da sua filha ou filho, e não vai ter tempo para estudar, na verdade, não sei nem se você vai conseguir terminar o segundo grau, mas o problema é seu agora, não é? – ele estava dançando comigo ainda e isso tava me deixando enjoada. Não agüentei e vomitei na blusa dele. – E isso, - disse ele tirando a blusa e me entregando. – também é problema seu. – ele pegou minha mãe e continuou a dança de onde tinha parado. Lavei as roupas e dependurei. Fui dormir, já que não tinha mais nada pra fazer.

Fui pra escola normalmente. Caio estava me esperando na porta e me deu um susto quando eu estava entrando.

- Oi. – disse ele passando a mão por sobre o meu ombro e pegando minha mochila para que eu não precisasse carregar peso. – Como vai? A Paloma me disse que você estava enjoada ontem. Melhorou?

- Mais ou menos. Acho que vai durar mais um ou dois meses. – não tinha motivos pra esconder de ninguém a minha gravidez precoce.

- Um ou dois meses? É alguma doença contagiosa?

- É. Contagiosa até demais, mas eu não quero falar sobre isso O.K.? – não tinha motivos pra esconder, mas nada me obrigava a falar.

- Tudo bem então. Então vamos falar sobre o quê? Futebol? Viu o jogo ontem? Uh, uh! O Santos é o melhor.

- Ahnm. Então você é Santos? – eu ri da cara dele – Você sabe onde você está?

- Sei. – disse ele rindo, também, da minha cara – Minas Gerais.

- Pois é. Então quais são os maiores? – nem deixei ele responder – Cruzeiro, Atlético e América. Certo?

- Certo, mas aqui eu sou Galo, só não amo ele de paixão. E você, o que é?

- Eu? – eu ri. Não pude deixar isso passar. – Eu nem gosto de futebol.

- Ah! Não? – ele segurou meu braço e a gente parou ainda no corredor. – Então vai ter que aprender a gostar.

- Não vou nada. Eu gosto de basquete, e acompanho todos os jogos dos Lakers.

- Ah! Então fazemos um acordo. Eu torço pro Lakers e você pro Santos, ou pro Galo, pode ser?

- Nem um, nem outro. E você não precisa torcer pro Lakers. Pode ser pro Manchester ou pro Lions, pra mim tanto faz.

- Ahnm? Mas se fosse pra escolher um time? – ele insistia no assunto.

- Aqui Cruzeiro. Lá fora Grêmio. – ele virou a cara pra mim e continuou andando.

- Ei! Caio espere. – ele virou com um sorriso e me puxou de novo.

Os dias estavam passando e os enjôos pararam. Pelo menos até lá. A escola estava indo bem, minha família toda já sabia da gravidez e eu só tinha contado pra Paloma. Minha mãe já tinha reservado um quarto da casa pro bebê e quando Paloma foi lá ajudou na arrumação. Tirar as caixas, tirar a poeira e arrumar tudo no escritório, para que nada incomodasse meu futuro filho. Nenhum móvel havia sido comprado ainda, então saímos eu, minha mãe e Paloma para comprar o berço, o trocador e o guarda-roupa. A tinta nós iríamos olhar depois, junto com as roupinhas e com os enfeites, o que dependia do sexo do neném pra acontecer.

A consulta estava marcada para daqui a um mês e até lá, pelas minhas contas, eu já estaria de quatro meses, então já saberia tudo e daí faria o quarto do neném.

Minha mãe tinha alugado um salão pra daqui a três meses eu dar o chá de bebê. Ela estava arrumando tudo, inclusive a lista de convidados, e estava morta de tanto trabalhar, em casa. Ela ficava doidinha com as coisas que minhas tias me davam para o neném. Algumas pessoas já havia me dado sugestão de nomes, mas eu deixaria pra pensar nisso quando o bebê nascesse.

Tive que deixar de ir à escola por uma semana. Lá, Paloma dizia pra mim que era por problemas pessoais, mas aqui eu sabia que era porque eu estava mudando rapidamente. Minhas costas doíam e meus pés custavam a sair do chão. Mas eu não via inchaço e nem volume nenhum na minha barriga. Até aparecia que eu estava somente gripada e sem nenhum feto dentro da minha barriga.

Por um momento eu comecei a pensar em adoção. Seria a melhor hipótese para mim, por causa da faculdade e tal. Mas depois eu fiquei pensando naquele trabalhão todo que minha mãe tava tendo e desisti de fazer isso. No caso sentimental, na verdade, não seria uma grande luta pra mim, porque eu, sinceramente, não havia pegado afeto nenhum, ainda, por aquele bebê. Minha mãe me obrigou de não chama-lo de bebê, e chama-lo de filho ou neném, porque era mais carinhoso. E assim eu estava me acostumando com a idéia de ser mãe.

Toda segunda-feira passava um programa na televisão sobre adolescentes grávidas muito cedo, eu comecei a ver pra saber como cada uma reagiu a idéia de ter um filho muito cedo. E ali vi a desvantagem de dar uma criança pra adoção.

Fui para a escola novamente e encontrei Caio na porta da sala.

- Ei Caio. – cumprimentei-o e entrei na sala.

- Vamos andar um pouquinho? – disse ele pegando minha mão logo que saí da carteira.

- Aonde você quer ir? – disse acompanhando-o.

- Sei lá. Vou andar por aí. – ele apressou o passo.

- Caio, eu tenho que encontrar a Paloma. – parei esperando ele se virar.

- Então vamos. Ela tá lá na quadra.

Encontrei a Paloma na quadra e fiquei por lá mesmo. Não queria assistir à aula de Geografia. Fiquei lá conversando com ela. Os sinais tocaram e só quando vi um volume gigante de gente na quadra, percebi que era o recreio.

Encontramos o Caio e enquanto Paloma comprava o seu lanche, eu e Caio ficamos sentados no canto da porta de entrada esperando ela voltar.

A gente tava conversando e eu senti que ele achou que tinha rolado um clima, por isso, me afastei dele, e levantei.

- Ei aonde você vai? – disse ele puxando minha mão.

- Vou procurar a Paloma. – eu disse tirando a mão dele do meu pulso.

- Por quê? Você só fica com a Paloma o dia inteiro. Fica um pouco aqui. Você tem medo de mim? – disse ele soltando uma gargalhada.

- Não Caio. Eu só não quero ficar, quero ir pra outro lugar.

- Ah é? Então vamos nós. – ele se apoiou em mim, e levantou, e quando isso aconteceu, o corpo dele se aproximou do meu e sua boca se aproximou da minha. Ele sorriu. Ele se aproximou e me beijou. Naquela hora, eu senti que todos estavam olhando. E senti também um forte aperto no peito, como se Eduardo, também, estivesse vendo o que estava acontecendo. Ouvi cochichos, não, eu não estava concentrada no beijo, até porque eu não queria retribuir. Afastei Caio de perto de mim e olhei para o seu rosto com cara de ódio. Saí e fui até Paloma, que estava me esperando, besta, com o lanche na mão.

- Eu não sabia que você não gostava mais do Eduardo. – disse ela quando eu estava chegando perto e tentando ignorar todas as pessoas que estavam falando de mim e olhando torto.

- Eu não deixei de gostar dele. – peguei o braço dela e a virei seguindo até a quadra – O Caio é um idiota, ele sabia disso.

- Ele sabe da sua gravidez?

- Não. Mas ele sabe que eu namoro.

- Então explica pra ele o que está acontecendo. Você vai deixar ele sozinho? – ela se virou para olhá-lo e eu automaticamente virei também. – Você não acha melhor explicar a ele o que está acontecendo não?

- Não. Não quero que ninguém mais fique sabendo sobre a minha doença precoce. – fiz uma cara de nojo.

- Não é uma doença Helena. – disse ela parando. Ela detestava quando eu fazia miséria do bebê – Agora você vai lá e explica pra ele o que está acontecendo e diz que ainda gosta do Eduardo. Vai rápido!

Olhei pra cara dela com desgosto e fui até Caio. Ele estava virado pro lado de fora da porta de entrada, em pé. Cheguei perto dele e encostei a mão no seu ombro. Ele se virou e sorriu.

- Me desculpa. Esqueci do Eduardo. – resmungou ele.

- Tudo bem. Eu errei em não ter te contado uma coisa.

- O que? – disse ele com cara de curioso.

- Na verdade, Caio, eu estou grávida, talvez, do Eduardo.

- Talvez? Do Eduardo?

- É eu estou grávida do Eduardo. É isso. Mas estou com raiva dele. É só isso.

- Nossa! – disse ele surpreso. – Agora é que eu te devo desculpas mesmo.

- Não tem nada a ver não. Só quero te pedir pra não tentar nada comigo, por que, querendo ou não, agora eu tenho um filho né? – disse com a cara feia.

- É claro.

Nós nos acertamos e fomos para a sala. Na sala, me virei para Paloma, e não falei nada até ela olhar para mim.

- O que foi Helena? Que cara de “morta”... – ela disse e também ficou me encarando.

- Amanhã... É o ginecologista. Vou fazer ultrassom também. Vai comigo?

- É claro Lena! Nossa, nem precisava perguntar. É claro que eu vou. Pode sempre contar comigo.

Naquele momento fiquei mais tranqüila. Virei pra frente e comecei a prestar atenção na aula.

... VOLTANDO AO EDUARDO...

- Oi. – ele disse – Como vão as coisas?

- Vão bem. – sentei ao seu lado – E com você?

- Vão mal. Muito mal. As coisas se viraram de “ponta-cabeça” depois que você se mudou e brigou comigo.

- Pare de reclamar Eduardo. Faz três meses que a gente não se vê e você quer brigar. Já?

- Me desculpe. – disse ele pegando minhas mãos e levando até o seu rosto.

Ele colocou-as nas suas têmporas e ficou olhando fixamente nos meus olhos. – Me desculpe, por tudo, por tudo mesmo. Eu não queria fazer nada que fiz, e eu vou assumir os nossos filhos, eu juro.

Desculpe-me pelas basbaquices e pelas grosserias, por tudo, mesmo. Eu não queria, e nunca quis fazer nada daquilo.

- Nada? Não queria? Então porque você me escondeu esse tempo todo tudo? – ele olhou pra mim e soltou minhas mãos, que caíram nas suas pernas. Eu olhei pra elas por dois segundos e depois voltei a olhar nos seus olhos. – Não precisa responder Eduardo. Não responda nada.

A gente ficou se olhando por um tempão, e depois ele me abraçou, forte, muito forte.

- Posso ver o que tem debaixo da sua blusa? A barriga? O volume? – disse ele olhando pra blusa.

- Não tem nada aqui. Não tem barriga.

- Ei! Tem sim! – ele colocou a mão por cima. – Viu?

Eu tirei sua mão.

- Não tem nada aqui. Não fique pegando, eu não gosto.

- Tudo bem então. Será que podemos voltar? A namorar?

- Eu não sei, acho que seria melhor se a gente ficasse separado por um tempo. Até os bebês nascerem, talvez. Eu não acho que a gente daria certo. De novo sabe?

- Não? A gente deu certo.

- Não Eduardo. Acho melhor não. – me virei e levantei. – Vamos lá em casa, vou te mostrar o quarto, sabe? O quarto dos... Bebês.

- Eles ainda não têm nome? Temos que escolher, rápido.

- Não pensei nisso ainda. São dois, e não tenho tempo pra ficar pensando em nomes. – ele me pegou pela cintura e fomos caminhando até minha casa.

- Que tal Maria? Você gosta?

- Não sei. Prefiro algo como Alice ou Anabela. Luiza, talvez...

- Anabela é muito bonito. E o nosso menininho? Danilo? Fernando?

- Eu gosto de Manoel, Fabrício. Não sei. Fica ao seu critério.

- Então pode ser Carolina e Manoel?

- Anabela e Danilo? – eu disse sorrindo pra ele.

- Tudo bem. – ele me deu tapinhas nos ombros.

- Não, não. Se você quiser colocar Maria... Eu quero escolher o nome do menino.

- Tudo bem. Então, Maria Carolina e Manoel?

- Não. Maria Carolina e Emanuel. Pode ser?

- Você não gostava de Manoel? – ele parou e eu, como sempre, continuei andando.

- Eu posso mudar. Vai ser Maria Carolina e Emanuel.

- Tudo bem então.

Eu abri a porta de casa e minha mãe estava na sala.

- E aí dona Milena? Jóia? Seus netos já têm nome, sabia?

- Ah é? E aí meu bem, como vai? – disse ela abraçando ele – Me conta Helena.

- Maria Carolina e Emanuel. Vamos lá em cima Eduardo. – não dei muita corda para os nomes.

- Helena, você já pensou em voltar pro meu colégio? Sei lá, se você fosse ia ver a Isabella e o Fábio de novo e não teria mais com o que se preocupar porque eu vou sempre estar perto de você. E aí? – disse ele quando chegamos ao andar de cima.

- Já, já pensei sim, mas se eu saísse de onde eu estou agora, iria perder belíssimas amizades que eu fiz lá também. A Paloma, que se tornou praticamente minha melhor amiga quando eu briguei com a Bella, e o Caio. Eu não quero perder eles também. E eu não vou perder você nem a Isabella, ou o Fábio porque vocês sempre vão estar junto comigo. Vou chamar a Bella pra ser madrinha da menina e o Fábio para ser junto com ela. – expliquei.

- É? Basta saber se ela vai aceitar né? Falando nela, você já falou alguma coisa com ela depois que você se acalmou?

- Não! – lembrei – Vou ligar pra ela por esses dias.

Entramos no quarto, que por acaso era meio masculino. Já que eu e minha mãe tínhamos um instinto forte que ia ser um menino. Eu não entrava muito naquele lugar, mas minha mãe tinha me garantido que estava tudo no mais perfeito estado. Coloquei a mão na maçaneta e minha mãe soltou um grito de pavor lá em baixo.

- Não! Desce já Helena. Não vá entrar aí ainda. Seu pai acabou se sair para fazer a placa com os nomes. Deixe-o pendurar, aí depois você entra. – ela gritou da escada.

- Tudo bem. Então, Eduardo, o que você quer fazer? Teremos de esperar, certo? – seguimos e entramos no meu quarto. Sentei-me na cama. Estava cansada, parecia que carregava o peso de mais duas pessoas, e era, literalmente, isso que acontecia. Ele se sentou no sofá da janela e conversamos até ouvi meu pai dizer que podíamos entrar nos quartos.

Calma!

“Nos quartos?”

Não era só um? Tudo bem que a casa tinha 5 quartos, mas acho que minha mãe não aceitaria de ter um quarto pra cada um.

- Mãe? Dois quartos? – eu disse.

- É. Eu decorei o outro ontem e hoje, não repare na bagunça das roupinhas e tal, mas é porque eu não tive tempo de arrumar tudo certinho. Podem entrar.

Dirigimos-nos para o quarto que já iria ser o do bebê. Na porta, meu pai estava terminado de pregar a placa com o nome “Emanuel”. Eu abri a porta e tudo estava do jeito que eu já tinha visto antes. As paredes eram, na metade de cima, amarelo escuro e na metade de baixo azul com listras do mesmo amarelo de cima. Era uma gracinha o berço todo branco já estava lá e com algumas roupinhas por cima. O guarda-roupa já estava lá e com todas as roupas dentro. Eduardo ficou admirando o quarto enquanto eu fui para o corredor descobrir o outro quarto. A mesma placa estava na porta do outro quarto também, mas com “Maria Carolina” escrito na madeira.

Minha mãe foi rápida ao falar os nomes com meu pai. Esperei Eduardo terminar de admirar o outro quarto pra gente abrir a segunda porta juntos.

Ele chegou e pegou primeiro na maçaneta, abriu a porta e...