segunda-feira, 19 de julho de 2010

LIVRO - CADERNO DE BORBOLETAS

9. OITO MESES...

Minha barriga estava imensa. Gigante. Eu tinha acabado de completar oito meses. O chá de panela foi muito bom.

Eu arrecadei cerca de 400 fraldas. O que, pelas minhas contas, iriam durar mais ou menos 3 meses, se eu usasse quatro a cada dia.

Minha mãe se decidiu por pagar logo um professor particular pra mim, antes que o meu ano terminasse e eu não conseguisse concluir a série.

Eu estava quase indo dormir. Na verdade, estava no banheiro. Escovando os dentes e depois iria escovar meu cabelo.

Pegando a escova, comecei a sentir uma dor muito forte na barriga. Parecia uma cólica três vezes mais dolorosa. Estava doendo muito.

A escova caiu da minha mão. E eu me curvei, de forma que, sem querer, estava fazendo força. Gritei de dor e caí no chão.

- Mãe? – gritei implorando por ajuda.

- Helena? – disse ela subindo a escada – O que está acontecendo? – ela disse desesperada.

- Eu não sei. Está doendo. – eu disse tentando me apoiar e levantando do chão.

- Acho que a gente tem que ir pro hospital. Está na hora de nascer. – minha mãe me levantou e me guiou até o meu quarto – Você arrumou a bolsa? – disse ela me colocando na cama.

- Arrumei. – a dor estava passando – Está no meu guarda-roupa. Na porta da esquerda.

- Vamos pro hospital. – minha mãe me carregou pelo ombro e me levou até o carro – Tenta segurar a dor até lá.

- Já não está doendo muito, mãe. Eu consigo segurar até lá.

- São contrações. – ela disse estacionando no hospital. – Vamos sair. Daqui a pouco vai voltar.

Minha mãe me colocou no ombro, novamente, e me levou até a recepção.

A recepcionista chamou uma equipe médica pra me colocar na maca. Fui carregada e depois colocada na caminha que andava freneticamente pelo hospital. Até que chegamos a uma sala, onde me transferiram de cama e me deixaram lá.

O médico chegou. Estava totalmente de branco, o que é obvio, mas no momento meu olho estava meio embaçado. Eu virei pro lado de modo que a dor insuportável, que estava voltando, passasse um pouco.

- Vamos ver com quanto de dilatação você está, Helena. Dependendo do tanto, você já pode começar a fazer força. – disse ele – Você está com quatro centímetros. O ideal é você começar a fazer força com nove. Nós vamos te dar um remédio para parar de doer as contrações. – ele pegou uma agulha e a balançou.

As dores pararam um pouco. E o tempo custava a passar. Às vezes eu sentia dores muito fortes, mas elas logo passavam.

Passaram-se sete horas, e eu não conseguia dormir. Minha mãe tinha ligado para o Eduardo, que prometeu chegar em vinte minutos, mas já tinham se passado três horas e ele não tinha chegado.

Minha mãe e meu pai, que tinha chegado duas horas depois que a gente chegou, estavam na sala junto comigo. E algumas enfermeiras vinham de hora em hora checar se estava tudo bem.

- Mãe liga pro Eduardo de novo. – eu disse.

- Não posso filha. Você já me pediu pra ligar pra ele sete vezes só nessa hora.

- Mas você não ligou em nenhuma. – eu argumentei.

Ela pegou o telefone e fez uma cara de impaciente. Discou os números e esperou Eduardo atender.

- Eduardo? Onde você está? Helena está quase tendo os bebês. – minha mãe gritava.

- O quê? Deixa de ser imbecil. Vem a pé. – ela estava nervosa. – ela olhou pro meu pai e depois falou com ele. – Wilson, você pode buscar o Eduardo na casa dele?

- Acho que sim. Só se for agora. – ele disse já pegando a chave – Estou lá em dez minutos.

- Ele chega em dez minutos. – ela disse e desligou o telefone.

As dores começaram a voltar, duas horas depois. Meu pai e Eduardo já estavam lá. Estavam todos na sala comigo. Eduardo, agora, estava do meu lado. Segurando a minha mão. O médico estava chegando novamente, dessa vez pra falar se eu já podia fazer força.

- Bom, Helena, você está com 10 centímetros. Já pode fazer força. Se prepare que eu vou chamar as enfermeiras.

Ele foi. E depois voltou com mais três enfermeiras. E todas elas com várias coisas na mão.

Eu estava fazendo muita força, e gritava, muito, muito.

A enfermeira me trouxe o primeiro bebê. Era Maria Carolina. Tinha cara de joelho, mas era linda.

Tinha cabelos loiros, quase brancos. Olhos que pareceriam ficar claros. A pele era tão clara e ela era tão bonitinha.

Depois ela me trouxe Emanuel. Ele era menor que Maria Carolina. Tinha cabelos claros, também, mas não chegava a ser tão loiro quanto ela. Os olhos já eram mais escuros, pretos, como os de Eduardo.

Recebi um cartãozinho com os nomes:

Maria Carolina Pierre Hadwing – 42 cm, 2.854kg, 28-10-10, 07h31min.

Emanuel Octávio Pierre Hadwing – 38 cm, 2.658kg, 28-10-10, 07h33min.

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