2. FESTAS
A data tão esperada tinha chegado. Era o dia da festa. E eu ia passar o dia inteiro me arrumando. O esperado momento tinha que chegar uma hora. Enquanto as cabeleireiras arrumavam o meu cabelo, eu tinha o note book na mão, para Isabella ficar por dentro do que estava acontecendo.
Pierre_lena: Estão arrumando o meu cabelo. Puxando-o de um lado pro outro.
Bella: Que bom Lena. Fico feliz por você.
Pierre_lena: Ahnm. Isso porque não é com você.
Bella: Ah. Eu já passei por isso. Você vai usar lentes?
Pierre_lena: Minha mãe mandou fazer só pra festa. Porque ela sabe que eu não gosto.
Bella: Nossa Lena, você ficaria tão melhor com lentes.
Pierre_lena: Eu não gosto Bella, só isso.
Bella: Ah! Deixa. Você vai à festa do Eduardo semana que vem?
Pierre_lena: Eu? Ir à festa do Eduardo? Você pirou?
Bella: Não. Eu não vou sem você. Você tem que ir.
Pierre_lena: Você tem que viver sem mim Isabella. Vai nessa festa. Qual o problema?
Bella: Eu não tenho coragem. Você sabe. Vai? Eu quero que você me ajude com o Matheus.
Pierre_lena: Ta! Eu vou ver o que posso fazer. Agora eu vou fazer unha. Vai arrumar pra festa. Beijo.
Isabella há um bom tempo, tinha um rolo com o Matheus, mas eles nunca conseguiam chegar um no outro. Eu tinha que ser a mensageira sempre. Eu não me importava, mas ir à festa do Eduardo? Pra mim era demais. Só iria pela Isabella. Ficaria com o Fábio, já que ele também não gosta de gente chata.
A hora da festa tinha chegado. Eu estava irreconhecível. Totalmente maquiada e com o vestido que tinha valorizado o meu corpo de vara-pau pequena. As pessoas começaram a chegar ao salão de festas. Desde aquelas pessoas que eu não conhecia até aquelas pessoas que eu era mais próxima.
Os amigos tinham três mesas reservadas. E os primeiros chegaram. Valéria e Gabriel. Depois Luiza e Gabriela, Danilo, Pedro, Íris, Daniel, Lucas, Mariana, Karen, e até que enfim, Fábio e Isabella. Meia hora depois chegou Eduardo, Júlia, Olívia e Carlos.
A diversão deles era imensa, em qualquer festa de quinze anos. O que eles mais gostavam eram as bebidas. E isso não poderia faltar na festa. Gabriela, Luiza, Mariana, Karen e Júlia foram pra pista de dança, ás cinco com duas taças de champanhe na mão. Em pouco tempo já estavam em outro mundo.
O tempo foi passando e a festa foi acabando. Não teve valsa, foi o único pedido que eu fiz. Quando deu meia-noite, cantaram os parabéns. E minha mãe não apareceu na hora, não fiquei com nenhuma mágoa. Ela deveria estar ajustando os últimos detalhes do bolo.
- Helena, temos uma surpresa pra você. Entre Bruno.
Meu coração acelerou. Será que minha mãe tinha convidado ele pra festa? Meu Deus. Eu o vi entrar, todo elegante, de terno. Barba despojada do jeito dele. E aquele cabelo desarrumado.
- Parabéns Helena. Muitos anos de vida. Suba aqui, por favor?
Eu subi. E ele me deu um abraço. Um ABRAÇO de Bruno Ribeiro. Todo o calor e o cansaço que eu estava sentindo naquela hora desapareceram, sumiram, desmancharam.
- Parabéns! – disse ele baixinho – Você merece tudo isso aqui. Muita saúde e felicidade. Será que isso é melhor do que me encontrar amanhã?
- Nossa! É claro. Meu Deus. Eu não acredito.
- Fotos! – disse minha mãe.
E eu me senti como uma estrela. Flashes e mais flashes. E eu ao lado de Bruno Ribeiro. Ele me abraçava a cada flash que brilhava. Eu estava preocupada com a maquiagem, que deve ter saído. Bruno se inclinou e me deu um beijo na testa e aí foi a explosão mais forte de gente gritando: Helena! Uh, uh!
Eu me senti queimando naquela hora, devo ter ficado mais que vermelha.
- Até mais Helena. Arquivos não vão faltar. Parabéns.
- Obrigada.
Nossa! O Bruno Ribeiro foi a minha festa. Eu não estava acreditando, e nem minhas amigas. Elas ficaram de boca aberta, e tiraram fotos com ele depois que ele desceu do palco. Ah! Dormiria feliz aquela noite, mais do que feliz. Nossa!
Como esperado, minha festa, a mais comentada da semana. Todos falaram só dela, na escola inteira. Eu amei! Não deixei por menos. E naquele fim de semana tinha a festa do Eduardo, eu não estava animada, mas eu ia. E a semana passou voando. Não como eu esperava, mas como Isabella esperava. Ela estava maluca. Só ficava com Matheus nas festas que ele ia. E como ele não era muito meu amigo, eu não o chamei pra minha festa. Mas acredito que estava tudo bem entre mim e Isabella. O sábado chegou, eu estava super cansada, e a Bella chegou lá em casa 8h da manhã. A festa começava ás 21. Mas estava tudo bem. Ela almoçou lá
A casa do Eduardo era num condomínio fechado. Roberto nos deixou do lado de fora para entrarmos, já que a casa era a mais próxima da entrada.
A porta da casa estava cheia de carros, e a casa totalmente escura, apenas com luzes piscando onde parecia ser a sala. Eu não entendia como os pais de Eduardo o deixavam sozinho na casa com um monte de adolescentes doidos e bebidas como vodka e cerveja. Eram loucos. Completamente loucos!
Passamos pela porta da frente e encontramos logo a sala.
- Bem vindos Isabella e Fábio. – disse Eduardo me ignorando completamente – Vem aqui Helena. – ele me puxou pelo braço, e me fez subir na mesa junto com ele – Olhe pessoal, de quem temos a presença ilustre essa noite! Helena Pierre! Uh, uh! – eu apenas olhei pra mão dele. Já devia ser o seu décimo copo. Numa festa que tinha começado a 30 min. Era incrível como esses meninos gostavam de beber.
Na hora que eu fui descer da mesa, a mão de Eduardo me puxou, e minha boca encontrou com a dele. Eu odiava ir a festas assim por causa disso. Com a maior força que pude conseguir naquele momento, afastei seu rosto do meu. E desci da mesa.
- Droga! – disse quando sentava ao lado de Fábio. – Aquele menino me paga.
- Você viu o Matheus, Lena?
- Não, não vi. Vá procurá-lo. Ajude ela Fábio.
- Ta bom. Vai ficar aí?
- Vou sim. Podem ir.
Dali eu percebi que Mariana estava vindo na minha direção com dois copos de champanhe. Sabia que ela ia me oferecer. E eu ia aceitar. Talvez ficando bêbada a festa ficasse mais divertida.
- Oi Lena! Sprite?
- Não é Sprite. Mas eu aceito.
- Tudo bem! Você não bebe, bebe?
Nisso eu tomei tudo numa golada só, depois fiz um sinal com a mão pra pedir mais. Ela me deu. Depois tomei outro, e depois outro. No final, tomei a bandeja inteira.
Estava tudo embaçado. Eu reconhecia aquele lugar. Ah! Era meu quarto. Levantei-me. Isabella dormia na cama de baixo. Com os olhos pretos e borrados de maquiagem. Resolvi ir ao banheiro, ver se o meu estado era o mesmo.
- Ah! Nossa. Eu estou acabada. – olhei pra baixo. Estava com a roupa da festa ainda. A maquiagem no meu rosto não existia mais. Cheirei meu cabelo. Estava um horror. A noite passada deve ter sido pesada. Liguei o chuveiro. Precisava de um banho de banheira. Urgente!
Depois de um banho relaxador de meia hora, vesti um short e uma camiseta, e fui acordar Isabella. Ela tinha que me contar o que tinha acontecido no dia anterior.
- Bella. Acorda! Vai Bella. Está parecendo uma pessoa que acabou de tomar um soco no olho. Acorda Bella. – ela abriu o olho.
- Droga Helena! Deixa-me dormir.
- Não! Você tem que me contar o que aconteceu ontem.
- Você não vai querer saber. Eu estou com sono.
- Eu quero saber. Vai tomar um banho. Eu vou fazer umas panquecas. O Fábio dormiu aqui também?
- Ele ta no sofá do escritório. Onde é o chuveiro?
- Entra na banheira. A água já está preparada. São 14h. Acorda.
Fui até o escritório, liguei a água da banheira de lá, e esperei encher. Depois fui até o sofá e acordei Fábio, mandei-o tomar um banho também.
Desci, e no corrimão tinha um bilhete: Almoço na casa da vovó. Voltamos Domingo à noite. A casa é sua. Beijo Mamãe. Obs. Te achei linda bêbada. Seu pai não viu.
Fui até a geladeira peguei os ingredientes e fiz vinte panquecas. Fiz suco pra nós três. É! Agora eu sabia que tinha ficado bêbada de verdade. Pra minha mãe achar lindo... Mas a explicação estava bem ali; Eu nunca tinha bebido antes.
Levei as coisas lá pra cima. Isabella estava penteando o cabelo e Fábio olhando.
- Bom dia gente.
- Bom dia! – disse os dois em coral.
- Trouxe panquecas!
- Ótimo. Mas acho melhor você não comer Helena. Vai precisar de estomago forte pra agüentar o que vamos te contar. Rá, rá! – disse Isabella largando a escova de lado e sentando-se na minha cama.
- Então conte. Que eu não como.
Um olhou pro outro e riram da minha cara.
- Você e Dudu ( Rá, rá, rá ) estão... Namorando oficialmente. Com pedido pros pais e tudo. – eu engasguei com o suco e depois fiquei vermelha.
- O quê? Como? Quando? Onde?
- Simples. Ontem depois das 20 taças de champanhe que você tomou...
- VINTE TAÇAS?
- Eu posso terminar? Que bom.
“ Pois é, depois das taças de champanhe, Eduardo te chamou pra dançar, e você aceitou.”
- Nisso vocês se beijaram. – disse Isabella cortando Fábio. – Depois sumiram. Eu te encontrei e o Eduardo insistiu em pedir você em namoro, mas quando chegamos aqui, seu pai já tinha dormido então ele pediu só a sua mãe. E depois ela disse pro seu pai, e ele aceitou.
“Você tava muito mal ontem, e o Eduardo aparentemente não estava bêbado.”
- Como assim? Ele não tava bêbado? Só na hora que a gente chegou ele tava com um copo na mão.
- Aí é que ta! O copo era da Mariana. Aquela sim bebeu. Nossa. Fiquei até besta.
- Então... Aquela hora que ele me deu o beijo ele estava em sã consciência? Ele não gosta de mim!
- Estava. Ele gosta de você sim. Só você que não percebe isso.
- E agora eu estou namorando Eduardo Werneck?
- Sim! Você está.
- Estou derrotada. Vou voltar a dormir. É impossível que isso seja verdade! Não pode ser! Não pode ser!
- Liga pra ele. O telefone deve ta em algum lugar do seu celular. Rá, rá! – disse Fábio me jogando o telefone.
- Não pode está. Eu não tenho o telefone dele, desde que ele ficou bonito. – É. Eduardo era muito feio, até dez anos, depois ele foi criando corpo e tomando cara de homem. Quando ele tinha dez anos, era branco, feio, tinha olhos azuis tristes e era pequeno e desengonçado. Agora, Eduardo tinha cabelos loiros claros, olhos azuis felizes e parecia-se com o Justin Timberlake. – Achei! Vou ligar pra ele. – disquei os números, tremendo, e ele atendeu.
- Alô? – disse uma voz rouca do outro lado da linha.
- A... Alô? Eduardo?
- Sim, sou eu... Helena?
- É. Olha, tem como você me encontrar?
- Pode deixar que eu irei aí.
- Obrigada. Tchau.
- Ele disse que vai vir aqui. – disse para Isabella.
- É bom mesmo! Ele vai ter que explicar direitinho o que aconteceu. – disse Fábio juntando suas coisas pra ir embora.
- Você vai junto com Fábio, Isabella?
- Vou. Não quero ficar aqui com você e o Eduardo.
- ISABELLA LIPAS! SOU SUA MELHOR AMIGA, E VOCÊ TEM QUE ME APOIAR, PORTANTO, VOCÊ VAI FICAR AQUI! – disse gritando para que ela pudesse entender o que eu tava passando.
- Então eu fico, mas eu vou ficar aqui em cima enquanto você conversa com ele lá em baixo.
- Tudo bem, mas fica aqui.
Meia hora se passou, Fábio foi embora, e nada do Eduardo chegar. Eu já estava meio desesperada, porque eu queria que ele me contasse o que tinha acontecido na noite passada. Então a campainha tocou. Eu corri lá pra baixo e fiz um sinal de Ok.com a cabeça para Isabella da ponta da escada. Ela desapareceu, eu abri a porta.
- Oi! – Eduardo me recebeu com um beijo na testa. – Como está baixinha? – tudo parecia está bem, até “ baixinha” soar, mas de qualquer forma, eu iria aceitar. Não tinha o porquê de rejeitar esse apelido agora, que eu não crescia mais.
- Estou bem. Entre, sente-se na sala de estar. – fui o acompanhando até lá, para se sentar. – E então? O que você tem pra me falar?
- Nada. Pra mim já está tudo bem esclarecido. E pros seus pais também. Rá, rá, rá. – deu uma gargalhada.
- Mas pra mim não. Você pode me explicar o que aconteceu ontem?
- Você libertou seu desejo reprimido Helena. Só isso!
- Eu não libertei nada. E meu desejo reprimido não é você.
- Olha, se você quiser, podemos fazer dar certo. Eu gosto de você, sempre gostei, não há nada mais pra eu fazer a não ser pedir você em namoro, eu não vou ficar escondendo os meus desejos de você, eu acho mesmo que a gente poderia dar certo. E é só você ser mais compreensível. Não custa nada. Você vai querer? – eu não sabia o que responder. Eu podia pensar melhor a respeito de Eduardo, mas eu não gostava dele. Iria aceitar para ver o que poderia acontecer? Ou não era melhor ficarmos só amigos, aquilo foi só um acidente? As dúvidas tomavam conta de mim, e enquanto isso eu estava parada olhando para Eduardo. Eu precisava pensar melhor sobre isso. Tinha terminado com Danilo há pouco tempo, lógico que continuamos amigos, até o chamei pra festa, mas só tinha um mês e não sabia o que ele ia pensar. Se bem que ele já deveria está sabendo. Eu estava insegura quanto à resposta que eu ia dar, mas era o melhor pra mim, eu acho.
- Tudo bem. Acho que podemos fazer dar certo. É o jeito né? – Eduardo abriu um sorriso gracioso, e seus olhos brilharam. Seu rosto foi se aproximando do meu aos poucos, seus lábios encostaram-se aos meus, e aconteceu o primeiro beijo – de verdade. Depois, vagarosamente, ele foi se afastando ainda com um sorriso no rosto.
- Nunca mais eu bebo. – disse olhando nos olhos dele. – De verdade! Não se for pra fazer loucuras como essa.
- Eu te dei duas escolhas agora, você está bêbada?
- Não, não estou. – dei uma gargalhada. – Mas acho que você precisa voltar, não precisa?
- Já está me expulsando? Nem cheguei direito.
- Não. Só achei que você precisava ir embora.
- Não, não preciso. Posso ficar pra almoçar.
- Não vai dar. Eu não sei cozinhar. Vou pedir pizza.
- Pizza? Agora?! Eu faço comida, sou um garoto criado.
- Isabella também está aqui. Você não vai gostar disso, vai?
- Isabella é sua amiga, então é minha também. Mais do que já era antes.
Ele se levantou do sofá, foi na direção da cozinha. Eu continuei sentada. Era difícil aceitar, agora, que eu estava namorando Eduardo, o menino que eu mais odiava no mundo. Era bom ele saber que eu não gostava dele ainda, e desse jeito o namoro não iria durar muito tempo. Eu ia me sentir menos culpada quando nós terminássemos. E eu queria só ver na segunda feira, o segundo menino mais cobiçado da escola namorando a segunda garota menos cobiçada – a primeira era Fabiana, uma menina feia do sétimo ano.
- Isabella? Pode descer. – gritei da sala pra ver se ela escutava.
- Ele já foi? To descendo.
- Não ele não foi. – eu disse assim que ela apareceu na porta da sala. – Ele está lá na cozinha. Fazendo o nosso almoço.
- Como assim? Vocês estão mesmo namorando? Mas você não gosta dele. Gosta?
- Achei que a gente podia tentar. – disse Eduardo aparecendo de surpresa ao lado de Isabella. – Não é baixinha?
- Sem baixinha? Pode ser? – fiz uma careta.
- É claro chuchuzinho! – aquilo me irritou.
- Baixinha, por favor! – os dois riram junto da minha cara.
Almoçamos juntos na cozinha. Aquilo foi até bom pra eu conhecer um pouco mais do Eduardo - ele insistia em eu o chamar de Dudu ou de Edu, mas eu não me sentia tão próxima dele para chamá-lo desses apelidos ridículos. Isabella foi embora logo depois do almoço - disse que precisava dar sinal de vida – então disse ao Eduardo pra dormir lá aquela noite, não no meu quarto, lógico, mas no escritório. À noite, ele me fez uma surpresa inesperada, que me acordou, puxou a minha cama de baixo para dormir lá comigo. Até achei que ele estava com medo, mas esqueci que ele tinha dezesseis anos de idade.
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