sábado, 10 de julho de 2010

LIVRO - CADERNO DE BORBOLETAS

2. FESTAS

A data tão esperada tinha chegado. Era o dia da festa. E eu ia passar o dia inteiro me arrumando. O esperado momento tinha que chegar uma hora. Enquanto as cabeleireiras arrumavam o meu cabelo, eu tinha o note book na mão, para Isabella ficar por dentro do que estava acontecendo.

Pierre_lena: Estão arrumando o meu cabelo. Puxando-o de um lado pro outro.

Bella: Que bom Lena. Fico feliz por você.

Pierre_lena: Ahnm. Isso porque não é com você.

Bella: Ah. Eu já passei por isso. Você vai usar lentes?

Pierre_lena: Minha mãe mandou fazer só pra festa. Porque ela sabe que eu não gosto.

Bella: Nossa Lena, você ficaria tão melhor com lentes.

Pierre_lena: Eu não gosto Bella, só isso.

Bella: Ah! Deixa. Você vai à festa do Eduardo semana que vem?

Pierre_lena: Eu? Ir à festa do Eduardo? Você pirou?

Bella: Não. Eu não vou sem você. Você tem que ir.

Pierre_lena: Você tem que viver sem mim Isabella. Vai nessa festa. Qual o problema?

Bella: Eu não tenho coragem. Você sabe. Vai? Eu quero que você me ajude com o Matheus.

Pierre_lena: Ta! Eu vou ver o que posso fazer. Agora eu vou fazer unha. Vai arrumar pra festa. Beijo.

Isabella há um bom tempo, tinha um rolo com o Matheus, mas eles nunca conseguiam chegar um no outro. Eu tinha que ser a mensageira sempre. Eu não me importava, mas ir à festa do Eduardo? Pra mim era demais. Só iria pela Isabella. Ficaria com o Fábio, já que ele também não gosta de gente chata.

A hora da festa tinha chegado. Eu estava irreconhecível. Totalmente maquiada e com o vestido que tinha valorizado o meu corpo de vara-pau pequena. As pessoas começaram a chegar ao salão de festas. Desde aquelas pessoas que eu não conhecia até aquelas pessoas que eu era mais próxima.

Os amigos tinham três mesas reservadas. E os primeiros chegaram. Valéria e Gabriel. Depois Luiza e Gabriela, Danilo, Pedro, Íris, Daniel, Lucas, Mariana, Karen, e até que enfim, Fábio e Isabella. Meia hora depois chegou Eduardo, Júlia, Olívia e Carlos.

A diversão deles era imensa, em qualquer festa de quinze anos. O que eles mais gostavam eram as bebidas. E isso não poderia faltar na festa. Gabriela, Luiza, Mariana, Karen e Júlia foram pra pista de dança, ás cinco com duas taças de champanhe na mão. Em pouco tempo já estavam em outro mundo.

O tempo foi passando e a festa foi acabando. Não teve valsa, foi o único pedido que eu fiz. Quando deu meia-noite, cantaram os parabéns. E minha mãe não apareceu na hora, não fiquei com nenhuma mágoa. Ela deveria estar ajustando os últimos detalhes do bolo.

- Helena, temos uma surpresa pra você. Entre Bruno.

Meu coração acelerou. Será que minha mãe tinha convidado ele pra festa? Meu Deus. Eu o vi entrar, todo elegante, de terno. Barba despojada do jeito dele. E aquele cabelo desarrumado.

- Parabéns Helena. Muitos anos de vida. Suba aqui, por favor?

Eu subi. E ele me deu um abraço. Um ABRAÇO de Bruno Ribeiro. Todo o calor e o cansaço que eu estava sentindo naquela hora desapareceram, sumiram, desmancharam.

- Parabéns! – disse ele baixinho – Você merece tudo isso aqui. Muita saúde e felicidade. Será que isso é melhor do que me encontrar amanhã?

- Nossa! É claro. Meu Deus. Eu não acredito.

- Fotos! – disse minha mãe.

E eu me senti como uma estrela. Flashes e mais flashes. E eu ao lado de Bruno Ribeiro. Ele me abraçava a cada flash que brilhava. Eu estava preocupada com a maquiagem, que deve ter saído. Bruno se inclinou e me deu um beijo na testa e aí foi a explosão mais forte de gente gritando: Helena! Uh, uh!

Eu me senti queimando naquela hora, devo ter ficado mais que vermelha.

- Até mais Helena. Arquivos não vão faltar. Parabéns.

- Obrigada.

Nossa! O Bruno Ribeiro foi a minha festa. Eu não estava acreditando, e nem minhas amigas. Elas ficaram de boca aberta, e tiraram fotos com ele depois que ele desceu do palco. Ah! Dormiria feliz aquela noite, mais do que feliz. Nossa!

Como esperado, minha festa, a mais comentada da semana. Todos falaram só dela, na escola inteira. Eu amei! Não deixei por menos. E naquele fim de semana tinha a festa do Eduardo, eu não estava animada, mas eu ia. E a semana passou voando. Não como eu esperava, mas como Isabella esperava. Ela estava maluca. Só ficava com Matheus nas festas que ele ia. E como ele não era muito meu amigo, eu não o chamei pra minha festa. Mas acredito que estava tudo bem entre mim e Isabella. O sábado chegou, eu estava super cansada, e a Bella chegou lá em casa 8h da manhã. A festa começava ás 21. Mas estava tudo bem. Ela almoçou lá em casa. E jantou também. Começamos a arrumar e o pai do Fábio chegou – Roberto sempre levava a gente para as festas, ele não reclamava de levar e nem de buscar.

A casa do Eduardo era num condomínio fechado. Roberto nos deixou do lado de fora para entrarmos, já que a casa era a mais próxima da entrada.

A porta da casa estava cheia de carros, e a casa totalmente escura, apenas com luzes piscando onde parecia ser a sala. Eu não entendia como os pais de Eduardo o deixavam sozinho na casa com um monte de adolescentes doidos e bebidas como vodka e cerveja. Eram loucos. Completamente loucos!

Passamos pela porta da frente e encontramos logo a sala.

- Bem vindos Isabella e Fábio. – disse Eduardo me ignorando completamente – Vem aqui Helena. – ele me puxou pelo braço, e me fez subir na mesa junto com ele – Olhe pessoal, de quem temos a presença ilustre essa noite! Helena Pierre! Uh, uh! – eu apenas olhei pra mão dele. Já devia ser o seu décimo copo. Numa festa que tinha começado a 30 min. Era incrível como esses meninos gostavam de beber.

Na hora que eu fui descer da mesa, a mão de Eduardo me puxou, e minha boca encontrou com a dele. Eu odiava ir a festas assim por causa disso. Com a maior força que pude conseguir naquele momento, afastei seu rosto do meu. E desci da mesa.

- Droga! – disse quando sentava ao lado de Fábio. – Aquele menino me paga.

- Você viu o Matheus, Lena?

- Não, não vi. Vá procurá-lo. Ajude ela Fábio.

- Ta bom. Vai ficar aí?

- Vou sim. Podem ir.

Dali eu percebi que Mariana estava vindo na minha direção com dois copos de champanhe. Sabia que ela ia me oferecer. E eu ia aceitar. Talvez ficando bêbada a festa ficasse mais divertida.

- Oi Lena! Sprite?

- Não é Sprite. Mas eu aceito.

- Tudo bem! Você não bebe, bebe?

Nisso eu tomei tudo numa golada só, depois fiz um sinal com a mão pra pedir mais. Ela me deu. Depois tomei outro, e depois outro. No final, tomei a bandeja inteira.

Estava tudo embaçado. Eu reconhecia aquele lugar. Ah! Era meu quarto. Levantei-me. Isabella dormia na cama de baixo. Com os olhos pretos e borrados de maquiagem. Resolvi ir ao banheiro, ver se o meu estado era o mesmo.

- Ah! Nossa. Eu estou acabada. – olhei pra baixo. Estava com a roupa da festa ainda. A maquiagem no meu rosto não existia mais. Cheirei meu cabelo. Estava um horror. A noite passada deve ter sido pesada. Liguei o chuveiro. Precisava de um banho de banheira. Urgente!

Depois de um banho relaxador de meia hora, vesti um short e uma camiseta, e fui acordar Isabella. Ela tinha que me contar o que tinha acontecido no dia anterior.

- Bella. Acorda! Vai Bella. Está parecendo uma pessoa que acabou de tomar um soco no olho. Acorda Bella. – ela abriu o olho.

- Droga Helena! Deixa-me dormir.

- Não! Você tem que me contar o que aconteceu ontem.

- Você não vai querer saber. Eu estou com sono.

- Eu quero saber. Vai tomar um banho. Eu vou fazer umas panquecas. O Fábio dormiu aqui também?

- Ele ta no sofá do escritório. Onde é o chuveiro?

- Entra na banheira. A água já está preparada. São 14h. Acorda.

Fui até o escritório, liguei a água da banheira de lá, e esperei encher. Depois fui até o sofá e acordei Fábio, mandei-o tomar um banho também.

Desci, e no corrimão tinha um bilhete: Almoço na casa da vovó. Voltamos Domingo à noite. A casa é sua. Beijo Mamãe. Obs. Te achei linda bêbada. Seu pai não viu.

Fui até a geladeira peguei os ingredientes e fiz vinte panquecas. Fiz suco pra nós três. É! Agora eu sabia que tinha ficado bêbada de verdade. Pra minha mãe achar lindo... Mas a explicação estava bem ali; Eu nunca tinha bebido antes.

Levei as coisas lá pra cima. Isabella estava penteando o cabelo e Fábio olhando.

- Bom dia gente.

- Bom dia! – disse os dois em coral.

- Trouxe panquecas!

- Ótimo. Mas acho melhor você não comer Helena. Vai precisar de estomago forte pra agüentar o que vamos te contar. Rá, rá! – disse Isabella largando a escova de lado e sentando-se na minha cama.

- Então conte. Que eu não como.

Um olhou pro outro e riram da minha cara.

- Você e Dudu ( Rá, rá, rá ) estão... Namorando oficialmente. Com pedido pros pais e tudo. – eu engasguei com o suco e depois fiquei vermelha.

- O quê? Como? Quando? Onde?

- Simples. Ontem depois das 20 taças de champanhe que você tomou...

- VINTE TAÇAS?

- Eu posso terminar? Que bom.

“ Pois é, depois das taças de champanhe, Eduardo te chamou pra dançar, e você aceitou.”

- Nisso vocês se beijaram. – disse Isabella cortando Fábio. – Depois sumiram. Eu te encontrei e o Eduardo insistiu em pedir você em namoro, mas quando chegamos aqui, seu pai já tinha dormido então ele pediu só a sua mãe. E depois ela disse pro seu pai, e ele aceitou.

“Você tava muito mal ontem, e o Eduardo aparentemente não estava bêbado.”

- Como assim? Ele não tava bêbado? Só na hora que a gente chegou ele tava com um copo na mão.

- Aí é que ta! O copo era da Mariana. Aquela sim bebeu. Nossa. Fiquei até besta.

- Então... Aquela hora que ele me deu o beijo ele estava em sã consciência? Ele não gosta de mim!

- Estava. Ele gosta de você sim. Só você que não percebe isso.

- E agora eu estou namorando Eduardo Werneck?

- Sim! Você está.

- Estou derrotada. Vou voltar a dormir. É impossível que isso seja verdade! Não pode ser! Não pode ser!

- Liga pra ele. O telefone deve ta em algum lugar do seu celular. Rá, rá! – disse Fábio me jogando o telefone.

- Não pode está. Eu não tenho o telefone dele, desde que ele ficou bonito. – É. Eduardo era muito feio, até dez anos, depois ele foi criando corpo e tomando cara de homem. Quando ele tinha dez anos, era branco, feio, tinha olhos azuis tristes e era pequeno e desengonçado. Agora, Eduardo tinha cabelos loiros claros, olhos azuis felizes e parecia-se com o Justin Timberlake. – Achei! Vou ligar pra ele. – disquei os números, tremendo, e ele atendeu.

- Alô? – disse uma voz rouca do outro lado da linha.

- A... Alô? Eduardo?

- Sim, sou eu... Helena?

- É. Olha, tem como você me encontrar?

- Pode deixar que eu irei aí.

- Obrigada. Tchau.

- Ele disse que vai vir aqui. – disse para Isabella.

- É bom mesmo! Ele vai ter que explicar direitinho o que aconteceu. – disse Fábio juntando suas coisas pra ir embora.

- Você vai junto com Fábio, Isabella?

- Vou. Não quero ficar aqui com você e o Eduardo.

- ISABELLA LIPAS! SOU SUA MELHOR AMIGA, E VOCÊ TEM QUE ME APOIAR, PORTANTO, VOCÊ VAI FICAR AQUI! – disse gritando para que ela pudesse entender o que eu tava passando.

- Então eu fico, mas eu vou ficar aqui em cima enquanto você conversa com ele lá em baixo.

- Tudo bem, mas fica aqui.

Meia hora se passou, Fábio foi embora, e nada do Eduardo chegar. Eu já estava meio desesperada, porque eu queria que ele me contasse o que tinha acontecido na noite passada. Então a campainha tocou. Eu corri lá pra baixo e fiz um sinal de Ok.com a cabeça para Isabella da ponta da escada. Ela desapareceu, eu abri a porta.

- Oi! – Eduardo me recebeu com um beijo na testa. – Como está baixinha? – tudo parecia está bem, até “ baixinha” soar, mas de qualquer forma, eu iria aceitar. Não tinha o porquê de rejeitar esse apelido agora, que eu não crescia mais.

- Estou bem. Entre, sente-se na sala de estar. – fui o acompanhando até lá, para se sentar. – E então? O que você tem pra me falar?

- Nada. Pra mim já está tudo bem esclarecido. E pros seus pais também. Rá, rá, rá. – deu uma gargalhada.

- Mas pra mim não. Você pode me explicar o que aconteceu ontem?

- Você libertou seu desejo reprimido Helena. Só isso!

- Eu não libertei nada. E meu desejo reprimido não é você.

- Olha, se você quiser, podemos fazer dar certo. Eu gosto de você, sempre gostei, não há nada mais pra eu fazer a não ser pedir você em namoro, eu não vou ficar escondendo os meus desejos de você, eu acho mesmo que a gente poderia dar certo. E é só você ser mais compreensível. Não custa nada. Você vai querer? – eu não sabia o que responder. Eu podia pensar melhor a respeito de Eduardo, mas eu não gostava dele. Iria aceitar para ver o que poderia acontecer? Ou não era melhor ficarmos só amigos, aquilo foi só um acidente? As dúvidas tomavam conta de mim, e enquanto isso eu estava parada olhando para Eduardo. Eu precisava pensar melhor sobre isso. Tinha terminado com Danilo há pouco tempo, lógico que continuamos amigos, até o chamei pra festa, mas só tinha um mês e não sabia o que ele ia pensar. Se bem que ele já deveria está sabendo. Eu estava insegura quanto à resposta que eu ia dar, mas era o melhor pra mim, eu acho.

- Tudo bem. Acho que podemos fazer dar certo. É o jeito né? – Eduardo abriu um sorriso gracioso, e seus olhos brilharam. Seu rosto foi se aproximando do meu aos poucos, seus lábios encostaram-se aos meus, e aconteceu o primeiro beijo – de verdade. Depois, vagarosamente, ele foi se afastando ainda com um sorriso no rosto.

- Nunca mais eu bebo. – disse olhando nos olhos dele. – De verdade! Não se for pra fazer loucuras como essa.

- Eu te dei duas escolhas agora, você está bêbada?

- Não, não estou. – dei uma gargalhada. – Mas acho que você precisa voltar, não precisa?

- Já está me expulsando? Nem cheguei direito.

- Não. Só achei que você precisava ir embora.

- Não, não preciso. Posso ficar pra almoçar.

- Não vai dar. Eu não sei cozinhar. Vou pedir pizza.

- Pizza? Agora?! Eu faço comida, sou um garoto criado.

- Isabella também está aqui. Você não vai gostar disso, vai?

- Isabella é sua amiga, então é minha também. Mais do que já era antes.

Ele se levantou do sofá, foi na direção da cozinha. Eu continuei sentada. Era difícil aceitar, agora, que eu estava namorando Eduardo, o menino que eu mais odiava no mundo. Era bom ele saber que eu não gostava dele ainda, e desse jeito o namoro não iria durar muito tempo. Eu ia me sentir menos culpada quando nós terminássemos. E eu queria só ver na segunda feira, o segundo menino mais cobiçado da escola namorando a segunda garota menos cobiçada – a primeira era Fabiana, uma menina feia do sétimo ano.

- Isabella? Pode descer. – gritei da sala pra ver se ela escutava.

- Ele já foi? To descendo.

- Não ele não foi. – eu disse assim que ela apareceu na porta da sala. – Ele está lá na cozinha. Fazendo o nosso almoço.

- Como assim? Vocês estão mesmo namorando? Mas você não gosta dele. Gosta?

- Achei que a gente podia tentar. – disse Eduardo aparecendo de surpresa ao lado de Isabella. – Não é baixinha?

- Sem baixinha? Pode ser? – fiz uma careta.

- É claro chuchuzinho! – aquilo me irritou.

- Baixinha, por favor! – os dois riram junto da minha cara.

Almoçamos juntos na cozinha. Aquilo foi até bom pra eu conhecer um pouco mais do Eduardo - ele insistia em eu o chamar de Dudu ou de Edu, mas eu não me sentia tão próxima dele para chamá-lo desses apelidos ridículos. Isabella foi embora logo depois do almoço - disse que precisava dar sinal de vida – então disse ao Eduardo pra dormir lá aquela noite, não no meu quarto, lógico, mas no escritório. À noite, ele me fez uma surpresa inesperada, que me acordou, puxou a minha cama de baixo para dormir lá comigo. Até achei que ele estava com medo, mas esqueci que ele tinha dezesseis anos de idade.

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