7. BARRIGA???
O quarto trazia a lembrança do meu antigo, da casa antiga. Os móveis também brancos e as cortinas roxas e fechadas deixavam o ambiente mais escuro que o antigo roxinho bebê, um lilás, que eu presenciava todos os dias na antiga casa.
O berço estava encostado na parede da direita e tinha um armário embutido na mesma parede, em cima do berço, e tinha, também, roupinhas por cima do colchão. Tinha também uma cama no quarto.
Depois que saímos de lá, fomos até a praça e tomamos um sorvete.
-Tenho que ir embora. Se é que você me entende... – disse ele me dando um beijo no rosto.
- Quando nos vemos? – eu disse para agradar minha mãe, que com toda certeza do mundo me perguntaria isso quando eu voltasse pra casa.
- Não sei. Pode ser quando for melhor pra você. No dia que você quiser.
- Ah! Eu? Pra mim tanto faz. – percebi que não era aquela resposta que ele queria que eu desse. – Pode ser, não sei, na semana que vem? Ou daqui a quinze dias?
- Acho melhor daqui a quinze dias. Semana que vem vai começar o campeonato de futebol lá da escola. Eu tenho que ir. Eu estou jogando.
- Então tudo bem. – eu disse concordando e vendo-o partir para o carro de seu pai, que já o esperava no ponto de ônibus.
- Que dia vocês se encontrarão novamente? – disse minha mãe quando cheguei em casa, como previsto.
- Daqui a quinze dias, talvez. –disse subindo em direção à escada.
- Talvez? Por quê?
- Eu não sei se quero encontrar com o Eduardo de novo tão cedo. Quero dar um tempo. Falta um tempo ainda para os bebês nascerem e eu não quero ficar encontrando com ele de semana em semana.
- Tudo bem, mas ahnm... Helena? O que você acha de procurar um lugar pra estudar onde você se sinta mais confortável?
- O que você quer dizer com confortável? – disse voltando e sentando no sofá.
- Não sei. Um lugar onde tem mais garotas como você, grávidas. Um curso rápido talvez, ou uma associação de garotas grávidas. – ela fez uma cara de indecisa.
- Não! Pra quê isso? Se o que você quer é que eu interaja com mais meninas da minha idade grávidas, eu não vejo necessidade nisso. Eu posso continuar na escola muito bem. Ou melhor, eu quero voltar pra minha escola, a escola que eu quase cresci lá. Não vi razão pra você me tirar de lá. E o nascimento vai ser
- Faça como quiser. Foi só uma idéia louca, talvez. – disse ela saindo para a cozinha.
A campainha tocou. Devia ser a Paloma. Tinha a chamado pra almoçar com a gente no domingo, na casa da minha tia. E como ela ia viajar, ela desistiu, mas teve que vir no sábado à noite.
- Oi Lena! – disse ela me abraçando na hora em que abri a porta. – E como está meus dois favoritos aí dentro? – ela brincou e foi entrando.
Fomos para o meu quarto e lá passamos o resto da noite, parando apenas para comer pizza. Detalhe: Eu comi quatro pedaços. Outro detalhe: Eu como meio, normalmente.
- Você nunca pensou em dar para a adoção não Helena? – disse Paloma (no meio da noite a gente tava conversando).
- Acho que nem nunca passou essa hipótese na minha cabeça. Minha mãe e meu pai me apoiaram desde o momento que eu contei para eles, então acho que não teria motivo de dar os bebês para ninguém.
- É né? Você tem a vantagem de ter seus pais sempre perto e tal. Eu não. Não sei o que meus pais fariam se eu ficasse grávida. Mas você vai continuar lá na escola?
- Vou. Eu queria voltar pra escola antiga, mas eu só vou ficar mais perto do Eduardo, e eu não quero isso. – eu disse olhando pra baixo, diretamente para a barriga.
- Você ainda gosta dele, não é? –disse ela pegando a minha mão. – Não sei por que você o evita. Vocês dois se gostam, ele já te pediu em namoro de novo e você não quer. Você está esperando filhos dele.
Paloma tinha razão, bem no fundo, mas eu tinha meus motivos para não querer ficar com Eduardo novamente. Eu gostava dele ainda, e muito, mas no fundo, no fundo, o que eu queria de verdade não era ele.
- Ele mentiu pra mim! Se não pude confiar nele, acredito que, na pior das situações, quando eu vou poder?
- Ficou mexida com o beijo do Caio, não foi? – ela soltou minha mão e colocou a dela na cabeça fazendo sinal de negatividade. – Eu disse pro Caio não te beijar, isso não ia dar certo. Ele é difícil. É difícil manter amizade com ele.
- Por quê? Por que ele é muito lindo? – eu soltei uma gargalhada.
- Não, besta! – ela também riu – É porque ele é meio que... Irresistível, sabe? – ela abaixou a cabeça.
- Você gosta do Caio, Paloma? – eu assustei.
- Mais ou menos. Não sei se gosto dele mesmo, ou se é “fogo” de momento.
- Então por que você não ficou com ele? – ele já tinha pedido pra ficar com ela pelo que eu me lembrava.
- Não sei. Mas você tá afim dele?
- NÃO! Jamais, Pá, eu gosto do Eduardo, esqueceu?
Na verdade Caio mexia, sim, comigo, mas como disse a Paloma, é “fogo”. Sinto que foi só porque o beijei, nada mais. E se eu estivesse no lugar da Paloma, acho que seria bem difícil de aceitar tal situação.
- Que alívio! Será que se eu pedir pra ficar com ele, vai ser muito feio?
- Acho que não. Pede! Arrisca... Se quiser eu ajudo! – disse e sorri.
UM MÊS DEPOIS...
Rodrigo, um novato da escola, estava dando em cima da Paloma há um bom tempo, mas Paloma estava ficando “escondido”- eu e as outras cinco meninas sabíamos – então não ia aceitar. O menino era do 3ºB, ou seja, TENTAÇÃO, e era também, bem bonito. Kelly morria de vontade de ficar com ele, mas só eu e Caio que sabíamos.
A minha barriga estava maior, e eu, que estava empolgada – INCRÍVELMENTE – contava os dias para o parto. Até mesmo para tirar aquele peso horrível da minha barriga, ou coluna, não sei direito onde pesava mais.
Estava sentada na cantina, com todas as pessoas do mundo, eu creio, pois nunca vi tanta gente no mesmo lugar. Paloma não estava lá com a gente, e nem com o Caio, pois ele tinha faltado. De repente, vejo a Paloma vindo de mãos dadas com o tal Rodrigo.
- Calma aí! Essa ali não é a Paloma? – pelo jeito Kelly tinha reparado a mesma coisa que eu.
- É, e o que ela tá fazendo com o Rodrigo? – eu perguntei para mim mesma.
Eles sentaram não muito longe da gente e ela pegou a mão dele e começou a conversar...
- Arreda aí! Tenta escutar! – disse Kelly.
“Olha Rodrigo, sério mesmo, talvez daqui um tempo, mas agora eu to gostando de outro garoto, então não to afim agora, sabe? Desculpa mesmo, mas não agora, tudo bem?”
Foi o que ela disse a ele. Eu e Kelly olhamos uma pra cara da outra e começamos a rir.
Depois da aula, ao chegar em casa, lembrei que tinha de ligar para a Isabella. Peguei o telefone e sentei na escada, preparada para o que ela ia falar comigo, depois daquilo tudo que a gente fez uma com a outra.
- Bella? – disse quando ela atendeu ao telefone com uma foz de morta.
- Lena? – uma voz de surpresa – Você voltou a ser normal e conversar comigo? Como vai a gravidez? Já sabe o sexo? E o nome?
- Calma Bella, sim, eu já sei tudo isso. São gêmeos. Um casal. Maria Carolina e Emanuel. – eu disse querendo desviar o assunto para o que me interessava.
- Que bom. Gêmeos? Perfeito. – disse ela parando para respirar e depois voltando. – Mas e aí? Como vão as coisas entre você e o Eduardo?
- Vão bem. Eu tive que conversar com ele depois que fiz o ultrassom né? Não podia cuidar de dois filhos, sozinha.
- Ahnm. E quando você vai voltar pra cá? – disse ela esperançosa.
- Não vou. Não quero. Acho melhor ficar longe do Eduardo pelo menos por enquanto. Estou meio, sei lá, despreparada pra voltar com ele. Entende? – eu disse.
- Sei como é. Mas você podia voltar. Sabe que tem a casa da sua tia aqui perto e você podia morar com ela.
- Isabella, não é o fato de eu ter um lugar pra morar. Agora, querendo ou não, eu tenho dois filhos, ou vou ter, sei lá, e eu tenho que ficar aqui o maior tempo possível. E eu tenho que, também, conversar uma coisa com você. Não pode vir aqui em casa?
- Posso, é claro, quando? – disse ela mexendo em alguma coisa que fazia um barulho estranho do outro lado.
- O que está fazendo? – perguntei. – Acho que você pode vir hoje se quiser. Nem demora tanto e também, soube que você estava querendo mudar de escola, a gente podia ir lá à minha e você ver se gosta.
- Eu estou lavando pratos. Sua escola é muito longe, Lena, e também não dá pra ir hoje. Talvez amanhã.
- Tudo bem então. Amanhã a gente vê o que fazer.
- Mas você não pode falar o que você tem pra falar agora?
- Não, porque, senão, amanhã a gente vai ficar sem assunto. – eu ri.
- Tudo bem. Tchau meu bem. – disse ela sorrindo também do outro lado da linha.
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